Muitas empresas autuadas por PGR tinham PGR. O problema é que o documento não resistiu ao olhar do auditor: era genérico, estava vencido, faltava uma das partes obrigatórias ou não correspondia ao que a fiscalização viu no local. Estes são os 6 motivos que mais derrubam PGRs em fiscalização — e o que fazer para corrigir cada um.
1. PGR incompleto: falta inventário ou plano de ação
O PGR tem dois componentes obrigatórios: o inventário de riscos e o plano de ação. Documento que traz só a descrição da empresa e uma lista superficial de perigos, sem avaliação de riscos por função nem plano com medidas, prazos e responsáveis, não é PGR — é papel.
Correção: complementar o levantamento de campo e estruturar as duas partes conforme a NR-01, com responsabilidade técnica.
2. PGR genérico ou copiado de outra empresa
O auditor compara o documento com o que enxerga no estabelecimento. Quando o PGR descreve funções que não existem, ignora máquinas que estão no chão de fábrica ou traz riscos de um ramo diferente, fica evidente que não houve levantamento real — e a recusa vem acompanhada de questionamento sobre a veracidade das informações.
Correção: refazer o levantamento no local. Não há atalho — PGR é retrato da empresa real, não modelo de prateleira.
3. Documento desatualizado
A avaliação de riscos do PGR deve ser revista no prazo máximo de 2 anos — e antes disso sempre que houver mudança de layout, de processos, de máquinas ou após acidentes e doenças relacionadas ao trabalho. Empresa que mudou de endereço ou dobrou o quadro com o mesmo PGR de anos atrás está, na prática, sem PGR.
Correção: revisão formal do programa, com registro do que mudou e atualização do inventário e do plano de ação.
4. Plano de ação que ficou no papel
O plano de ação lista medidas com prazos e responsáveis — e a fiscalização cobra evidências de execução. Prazos vencidos sem medida implantada e sem justificativa transformam o próprio PGR em prova da irregularidade.
Correção: executar as medidas pendentes, registrar as evidências (fotos, notas, certificados) e revisar prazos de forma realista no documento.
5. Riscos psicossociais fora do inventário
Desde a atualização recente da NR-01, os riscos psicossociais relacionados ao trabalho devem ser gerenciados no PGR como os demais riscos ocupacionais. Inventários que ignoram completamente o tema já estão entre os motivos de notificação — e a tendência é de cobrança crescente.
Correção: incluir a identificação e a avaliação dos fatores psicossociais no inventário, com plano de ação voltado à organização do trabalho. Temos um artigo completo sobre riscos psicossociais no PGR aqui no blog.
6. PGR indisponível no estabelecimento
O programa deve estar disponível aos trabalhadores e à fiscalização no estabelecimento — em papel ou meio digital acessível. PGR que só existe no computador da consultoria, e que ninguém na empresa sabe localizar na hora da visita, conta como não apresentado.
Correção: manter cópia acessível no local, definir quem responde pela apresentação e garantir que os trabalhadores conheçam os riscos das suas funções.
Como corrigir e reapresentar
O caminho é o mesmo para todos os casos: levantamento de campo por responsável técnico habilitado, documento completo com ART, execução real do plano de ação e resposta protocolada dentro do prazo da notificação. Um PGR que reflete a empresa de verdade passa em qualquer fiscalização — porque não há o que contestar.
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Conteúdo informativo. Prazos e percentuais da legislação podem mudar — consulte sempre um responsável técnico para o caso concreto da sua empresa.
